quarta-feira, 31 de julho de 2013

Opinião - Se Eu Ficar

Título Original: If I Stay
Autor: Gayle Forman
Editora: Editorial Presença
Número de Páginas: 216

Sinopse
Naquela manhã de Fevereiro, quando Mia, uma adolescente de dezassete anos, acorda, as suas preocupações giram à volta de decisões normais para uma rapariga da sua idade. É então que ela e a família resolvem ir dar um passeio de carro depois do pequeno-almoço e, numa questão de segundos, um grave acidente rouba-lhe todas as escolhas. Nas vinte e quatro horas que se seguem, Mia, em estado de coma, relembra a sua vida, pesa o que é verdadeiramente importante e, confrontada com o que faz com que valha mesmo a pena viver, tem de tomar a decisão mais difícil de todas.


Opinião

  Antes de ser escritora, Gayle foi jornalista. Começou na Seventeen com artigos sobre jovens e problemáticas sociais e de justiça e, mais tarde, tornou-se jornalista freelance para outras revistas como a Elle, a Cosmopolitan, Glamour, The Nation, entre outras. Em 2002, juntamente com o marido, fez uma viagem de um ano à volta do mundo e teve a oportunidade de conhecer pessoas bastante interessantes, como travestis no Tonga, obcecados por Tolkien, punks no Cazaquistão ou estrelas de hip-hop na Tanzânia. Esta viagem resultou no seu primeiro livro, um livro de memórias destas viagens e na decisão de ter um filho depois do regresso aos pequenos confortos da vida que deixará por um ano.


  E, assim, pode-se dizer que a sua filha Willa foi a ponte de rapagem para a sua carreira de escritora já que após o seu nascimento a carreira de jornalista freelance estava fora de questão. Gayle descobriu que dentro da sua cabeça estavam as viagens mais fantásticas da sua vida e quem iria levá-las a cabo seriam personagens dos 12 aos 20 anos. Começou a sua carreira no género young-adult com Sisters in Sanity, baseado num artigo que havia escrito para a Seventeen mas seria com Se Eu Ficar que se tornaria uma autora premiada.


  Se Eu Ficar, cuja sequela foi recentemente traduzida para português, foi publicado em 2009 e encontra-se traduzido para trinta países. Venceu cinco prémios literários e foi nomeado para mais seis.


  E se todo o teu mundo desabasse? E se tudo o que te agarrava à vida se tivesse escapado por entre os teus dedos? E se tivesses de escolher entre ir e ficar? Esta é a premissa do livro de Gayle Forman, um pequeno livro que nas suas páginas nos deixa presos entre a esperança e o desespero, entre a luta e a desistência, entre as possibilidades da incerteza de um futuro marcado pela dor e pela ausência. Com uma escrita simples mas poderosa, este livro é um impasse, uma narrativa densa entre os bons momentos, aqueles que marcam uma vida e a dor da perda daqueles que lhe deram sentido. Uma história onde um momento, um pequeno acaso destrui uma família, vidas e futuros, onde uma jovem tem de tomar a mais difícil das decisões. A autora deixa-nos quebrados em cacos, faz-nos repensar toda a nossa vida e momentos, consegue com que sejamos a Mia e ela nós, faz-nos perguntar e se fôssemos nós? Ficávamos ou íamos?


  Num relato comovente, somos confrontados com o valor daquelas pequenas coisas da vida, aquelas que tomámos por garantidas. O carinho e apoio da família, a ternura e companheirismo da amizade, o calor e doçura do amor, a certeza absoluta que o abandono só virá quando estivermos preparados, que sempre teremos isto e que sempre o quereremos mas a realidade, tal como este livro, pode ser dolorosa. Nas salas esterilizadas de um hospital, sentámo-nos ao lado de Mia e vemo-la recordar cada acontecimento importante da sua vida. Com ela apaixonámo-nos por Adam, adorámos Kim, venerámos a sua família improvável. Com ela somos fracos, chorámos e revoltámo-nos, somos frios e quase impassíveis, somos uma concha vazia que não sabe que decisão tomar. Queremos incentiva-la a ficar, quase a obrigámos a ir, com ela aprendemos que a vida é feita de escolhas e perdas demasiado pesadas e que a força de vontade, muitas vezes, não é o suficiente. 


  De uma maneira tocante acompanhámos a inevitabilidade, o destino se assim lhe quiserem chamar, na sua forma mais cruel, mais definitiva, um destino que nos tira tudo até a importância do que ainda ficou, que parece um nada ao pé do que se perdeu. A partir de um tema bastante sensível, a autora consegue criar aqui uma narrativa de extrema ternura, uma narrativa que glorifica a vida, a família, o amor, que nos apresenta a perfeição de um sonho, onde as pequenas imperfeições e diferenças de cada um escreveram uma história que devia ter um final feliz mas que acaba da maneira mais horrível. Ter de lidar com as sensações que este livro nos provoca não é fácil, chega a ser doloroso recordar, doí saber que se calhar não há muito por lutar, mas o pior é conhecer a Mia dos tempos felizes e saber que um momento vai transformá-la, que ela nunca mais vai ser a mesma Mia, a menos que se deixe ir.


  As personagens, todas não só Mia, enchem-nos de sentimentos carregados de força, sentimentos bons, doces e risonhos. São personagens que adorámos, que venerámos, que nos tocam de formas impossíveis pela sua esperança e dor. Cada uma delas torna-se alguém importante, alguém com que nos preocupámos, alguém que queremos abraçar e dizer tudo vai ficar bem e, é por elas, que este livro é a grande mensagem que é, são elas que tornam esta pequena história algo que nos pode mudar, que nos pode marcar para sempre. E depois temos a música, a música em todos os seus géneros e sons, a música como ligação, a música que entoa em cada coração e que demonstra bem o que cada um deles é. É incrível como só de ler os momentos musicais desta família, quase conseguimos ouvir os acordes de cada música, como algo tão simples acaba por ser tão grandioso, como faz tanto sentido.


  Se Eu Ficar é um daqueles livros que nos abala, que nos arrasa em pouco tempo e de forma definitiva. É uma história que não esqueceremos, com lições que não mais deixaremos. Gayle Forman avassala-nos com este livro, deixa-nos sem palavras mas cheios de sentimentos, de certezas, a certeza, que seja como for o amanhã, é bom que haja algo de bom para recordar.

6*

Picture Puzzle #38



Regras:
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens representativas das palavras dos títulos (uma imagem por palavra, ignorando os "e, o(s), a(s), de, etc.);
  • Fazer o post e convidar o pessoal a tentar adivinhar o livro;
  • Se estiver a ser difícil podem ser fornecidas pistas mas está ao critério do administrador do blogue;
  • As imagens não têm de literalmente representar o título
Podem consultar a rubrica nos seguintes blogues: Bookeater/Booklover
Como ninguém adivinhou a semana passada, os puzzles voltaram para vos atormentar! 

Puzzle #1

Pistas: traduzido para português; 





Puzzle #2
 Pistas: traduzido para português; 

terça-feira, 30 de julho de 2013

Opinião - A Mecânica do Coração

Título Original: La Mecánique du Coeur
Autor: Mathias Malzieu
Editora: Contraponto
Número de Páginas: 144

Sinopse
 Primeiro, não toques nos ponteiros. Segundo, domina a tua cólera. Terceiro, nunca, mas nunca te apaixones, porque senão no relógio do teu coração, o grande ponteiro das horas trespassar-te-á a pele, os teus ossos implodirão e o mecanismo avariar-se-á de novo.


Edimburgo, 1874. Jack nasce no dia mais frio do mundo, com o coração... congelado. A Drª Madeleine, a parteira (segundo alguns, uma bruxa) que o trouxe ao mundo, consegue salvar-lhe a vida instalando um mecanismo - um relógio de madeira - no seu peito, para ajudar o coração a funcionar. A prótese resulta e Jack sobrevive, mas com uma contrapartida: terá sempre de se proteger das sobrecargas emocionais. Nada de raiva e sobretudo nada de amor. A Drª Madeleine, que o adopta e vela pelo seu mecanismo, avisa: «o amor é perigoso para o teu coraçãozinho.» Mas não há mecânica capaz de fazer frente à vida e, um dia, uma pequena cantora de rua arrebata o coração - o mecânico e o verdadeiro - de Jack. Disposto a tudo para a conquistar, Jack parte numa peregrinação sentimental até à Andaluzia, a terra natal da sua amada, onde encontrará as delícias do amor... e a sua crueldade. Um conto de fadas para adultos, ao estilo de Tim Burton ou Lewis Carroll.

Opinião

  Líder e vocalista do grupo musical rock francês Dionysos, formado em 1993, Mathias Malzieu, nascido em 1974, é também autor de quatro livros, publicados entre 2002 e 2011. Tal como as suas músicas, os seus livros mostram bem a veia surrealista e excêntrica que tem caracterizado a sua banda, bem como as influências em Tim Burton ou Roald Dahl. Os livros são concebidos como se fossem filmes, estando cada um deles relacionado a um álbum da banda, como bandas sonoras perfeitas a cada história. 

  38 Mini Westerns foi o seu primeiro livro e o primeiro a ter direito a uma banda sonora mas A Mecânica do Coração, publicado em 2007, foi o seu maior sucesso, tanto em livro como em álbum. Traduzido para doze línguas, é considerado um conto digno de Tim Burton e Lewis Carroll. O álbum como o mesmo nome recebeu o Disco de Ouro em 2008.

  Há livros que são pequenos contos de fadas mas isso não significa um “felizes para sempre” nem doces cores ou corações no ar. A Mecânica do Coração é um desses pequenos grandes contos, uma história irreverente e sublime, trágica e encantadora, negra e terna. Através de uma escrita poética, surrealista e profunda, Mathias cria algo de único, algo imensamente belo que vê e mostra o amor nas suas grandes complexidades, na glória absoluta da felicidade de amar e na queda destrutiva da desilusão de perder. Ao longo destas poucas páginas sentimos como poucos livros nos fazem sentir, somos tocados de formas tão profundas que tudo o que alguma vez experienciámos do amor é aumentado, excedido pelas palavras fortemente delicadas que nos envolvem nesta história de corações de madeira e de minutos contados.

  A premissa é simples, o enredo sedutor. A cada momento a nossa alma é enfeitiçada, o nosso coração compreendido, as nossas feridas esfregadas até sangrarem, a nossa felicidade é divinizada. O amor em todas as suas formas, belas e horrendas, doces e destrutivas, glorificadas ou derrotadas, é aqui descrito como o sentimento excessivo e intenso que realmente é, aquela sensação que nos faz voar até ao céu ou agonizar no inferno. Numa viagem de descoberta, no meio das diferenças e na raiva à estranheza, vemos um rapaz e um amor crescerem e mudarem, acompanhámos as mudanças que a esperança, a realização e a perda podem provocar. 

  Numa atmosfera sombria, aprendemos que este sentimento pode vir dos mais estranhos corações. De corações frios e cheios de ódio para um rapaz indesejado, de um coração-relógio para uma figura onírica, de um coração fogoso para algo belo e atormentado. Mas, mais do que isso, aprendemos que o amor só passa do sonho quando realizado e que a dada altura temos de esquecer o sonho para aceitar e podermos deter a realidade. Compreendemos também que amar não é fácil, pode magoar, quebrar, destruir por completo, que não é feito só de tentativas e promessas, ilusões e condescendências, é preciso alimentá-lo e nunca, nunca, mentir-lhe ou esconder algo. Mas principalmente, é preciso aceitar e acreditar.
 
  Do patético, do horrível, do estranho, o autor cria algo que nos relembra de momentos bons e maus, algo que nos faz chorar e sorrir, algo que reflecte com simplicidade e verdade o que escondemos bem fundo ou fingimos nunca ter sentido. Com personagens tão ridículas e odiosas, tão doces e frágeis, aprendemos, somos encantados, somos desnudados. Da Dra. Madeline a Joe, de Jack a Méliès, todos nos ensinam algo, todos são uma faceta desse sentimento ultrajante que comanda a vida.

  Com elementos góticos e modernos, com personagens fantasiosas e reais, Mathias faz magia pura, pura como a vida. Podia queixar-me do pequeno tamanho deste livro mas ele é perfeito assim mesmo, como um suspiro que passou e mal se ouviu mas que nos marca através do tempo da eternidade.

  A Mecânica do Coração é aquela história tocante, aquele conto maravilhoso que me faz recordar um dos meus filmes preferidos e que se imiscuiu no meu coração da mesma forma. Este é um livro que dá forma e cor aos sentimentos, este é o livro que nos fará associar relógios de cuco à sensação de estar apaixonado.

6*

domingo, 28 de julho de 2013

Opinião - Halo

Título Original: Halo (#1 Halo)
Autor: Alexandra Adornetto
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 392
 
Sinopse
 Três anjos – Gabriel, o guerreiro; Ivy, a curandeira; e Bethany, a mais jovem e humana de todos – são enviados para levar o Bem a um mundo que sucumbe ao poder das trevas.
Esforçam-se por esconder o brilho luminoso que os envolve, os poderes sobre-humanos que detêm e, representando o maior dos perigos, as asas, ao mesmo tempo que evitam qualquer tipo de relação com os humanos.
As Bethany conhece Xavier Woods e ambos se revelam incapazes de resistir à atração que sentem um pelo outro. Gabriel e Ivy tentam tudo para impedir aquela relação, mas o sentimento que une Xavier e Bethany é demasiado forte.
A missão dos anjos é urgente e as forças das trevas são ameaçadoras. Irá o amor lançar Bethany na perdição ou salvá-la?
 
Opinião
  Começou a escrever aos treze anos e aos quinze publicou o seu primeiro livro. Filha de professores de Inglês, criada numa casa cujo nome é Byron, Alexandra é uma jovem australiana que se mudou para os Estados Unidos da América para estudar. Quer ser escritora e actriz, é fã de música country, adora teologia e cantar.

  Aos dezoito anos publicou aquele que é o seu trabalho mais conhecido, o primeiro livro de uma trilogia angélica, Halo. Para além desta trilogia, também escreveu a trilogia The Strangest Adventures. Publicado em 2010, Halo está traduzido para dezoito línguas e faz parte dos livros que seguiram a onda pós- Crepúsculo.

  Três anjos descem à Terra com uma missão e para a cumprirem devem imiscuir-se entre os mortais mas quando um deles começa a sentir uma curiosidade avassaladora pelas sensações humanas, quando um deles descobre o sentimento que caracteriza a Humanidade, tudo é colocado em risco e as Trevas que ameaçam o mundo perdem importância perante a perspectiva de regresso e de perda do amor. 

  Alexandra apresenta-nos uma história que, na verdade, pouca história tem. Ao longo de quase quatrocentas páginas seria de esperar que algo acontecesse só que Halo é uma história feita de nadas e clichés, uma narrativa que não passa do básico. Com uma escrita até bem elaborada e que no início até mostra alguma construção e pensamento mental, a autora acaba por se perder a dada altura e tornar este livro não mais que uma história aborrecida que não passa de um relato de uma relação chata entre duas pessoas irritantes e todos aqueles clichés de adolescentes americanos como o histerismo em volta do baile de finalistas. Pouco mais há, aliás a dizer sobre este livro, tirando que foi uma total perda de tempo lê-lo.

  Quando a história é introduzida há a sensação que a coisa até foi bem pensada pois os anjo não percebem muito da rotina humana, sentem-se estranhos nos seus corpos e precisam de se habituar a coisas que para nós são tão normais que nem damos por elas mas não deixa de haver na leitura o seu quê de chata, de expectativa por mais mas o mais não aparece em altura nenhuma. Supostamente estes anjos são enviados numa missão, uma missão que nunca sabemos qual é, que nunca nos é explicada e pela qual eles não fazem nada de nada visto que dois passam a vida numa escola a fingir que são humanos e a outra fica em casa a fazer acções comunitárias. Depois nenhuma desgraça acontece por parte dos supostos agentes das trevas até que quase no fim a autora lá se lembrou do caos e do vilão e do drama, horror e tragédia mas a coisa de facto não correu bem porque parece que o problema do agente das trevas era gostar da anjinha chatinha que lhe deu para trás e acaba tudo por se tornar muito ridículo. No fundo este livro é sobre uma relação melosa, opressiva e irritante que ocupa toda a santa página deste livro. Ah e sobre a estupidez de alguns adolescentes que não pensam em mais nada senão em superficialidades, álcool e festas.

  Quanto aos anjos, nunca vi nada mais inútil. Eles não servem para nada, não têm qualquer tipo de interesse, são aborrecidos até a morte. Ivy é um adereço só e apenas porque curandeira ela não é de certeza, Gabriel é o chato armado em pai chato e Bethany é a coisa mais insonsa depois daquela Bella. Tirando as asas, eles seriam apenas três seres humanos sem qualquer tipo de graça. Depois o mundo angélico resume-se a um grupo assustador que nada faz não se percebe bem porquê e a um demónio que mais parece um puto com problemas psicológicos. 

  E depois temos a relação amorosa que é na verdade a única coisa que existe neste livro, uma relação que une as duas personagens mais chatas, insonsas e boazinhas que eu já vi e que só me deu vontade de vomitar e ranger os dentes. Xavier e Bethany são o cúmulo do aborrecimento, da estupidez e da seca total. Ele é obsessivo, controlador com ar de bonzinho e meloso que até enjoa, ela é chata, estúpida, burra e tão choramingas que só dava vontade de lhe dar dois estalos, para além que só se dá com as parvinhas e não faz nada para as mudar, pelo contrário, torna-se uma delas por completo. Adeus anjo responsável com uma missão, olá pita estúpida!

  O resto das personagens é igualmente chata e inútil, irritante e odiosa e em nada contribuíram para o nada que isto foi. Acho que a única coisa útil foi a autora ter utilizado o Facebook para estragar a relação dos Irritantes. Esperem, de facto isso só deu mesmo vontade de revirar os olhos.

  Ou seja, isto é um desperdício de tempo e dinheiro, esqueçam lá isso.

1*

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Opinião - Deslumbrante

Título Original: Ravishing in Red (#1 As Flores mais Raras)
Autor: Madeline Hunter
Editora: ASA
Número de Páginas: 320
Sinopse
 Numa época em que a reputação de uma mulher é o seu bem mais precioso, Audrianna desafia todas as convenções. Ela é uma jovem determinada, independente... e disposta a tudo para aniquilar o seu adversário, o altivo Lord Sebastian Sommerhayes. A uni-los está um homem: o pai de Audrianna, que morreu envolto nas malhas de uma conspiração. Para Audrianna, essa tragédia significou o fim da sua inocência. Para Sebastian, que liderou a investigação, foi apenas uma morte merecida. Audrianna jurou limpar o nome do pai, mas nunca esperou sentir um desejo tão avassalador pelo homem que o arrasou. A busca pela verdade vai levá-la demasiado longe numa sociedade que é implacável perante a ousadia feminina. Ao ver-se mergulhada num escândalo que pode ser-lhe fatal, Audrianna tem apenas uma inconcebível opção... Deslumbrante é o primeiro volume da série As Flores Mais Raras. Mais uma apaixonante e sensual saga histórica pela mão da Rainha do Romance.
Opinião

  A sua carreira enquanto escritora conta com treze anos de actividade, vinte livros e um conto. Foi finalista do RITA sete vezes e venceu-o duas vezes e muitos dos seus livros estão nas listas de bestsellers de várias revistas como o New York Times, USA Today ou Publishers Weekly. Ela é a Rainha do Romance e regressa as nossas livrarias com uma nova série.

  Madeline Hunter, cujos livros já venderam seis milhões de cópias e foram traduzidos para doze línguas, vive na Pensilvânia, dá aulas numa universidade e é doutorada em História de Arte. Uma das autoras preferidas neste género, Madeline é um tal sucesso no nosso país que este seu mais recente livro já está esgotado nos maiores sites de vendas de livros do país como a Wook, Bertrand e FNAC. 

  As Flores mais Raras é uma das duas séries mais recentes da autora e inicia-se por cá com o seu primeiro volume, Deslumbrante. Traduzido para cinco países e publicado em 2010, é o primeiro livro sobre um grupo de jovens que vivem juntas e são responsáveis pela Flores Preciosas.

  Audrianna é capaz de tudo para salvar a reputação do pai e o futuro da sua família até quando em busca de respostas se envolve num escândalo que a obriga a casar com o homem que mais detesta. Uma noite, um tiro e um beijo mudam a sua vida e de Sebastian para sempre e agora eles têm de aprender a lidar com o facto de estarem casados com a mais improvável das pessoas e de sentirem a paixão mais inesperada. Entre conspirações, segredos e as flores mais raras, eles têm de lidar com aquilo que os separa e perceberem que o que une é mais do que uma aliança e noites apaixonadas.

  Madeline Hunter não é uma das minhas autoras de eleição mas parece que desta vez a “Rainha do Romance” conseguiu surpreender-me mas ainda não foi desta que me arrebatou completamente. Deslumbrante é mais do esperava e muito diferente do que pensava, uma narrativa que se vai tornando mais doce conforme vamos entrando na sua leitura, como uma flor que vai abrindo as suas pétalas timidamente, deixando, a pouco e pouco, antever a sua beleza. Com uma escrita trabalhada, cuidada e suave, Madeline apresenta-nos uma história de amor que não é o centro da trama, antes um dano, o resultado de várias ligações e acasos. Por isso, este livro é mais uma história de amizades, perdas, salvações e segredos do que propriamente um romance cor-de-rosa. No meio de jardins e conspirações, quartos onde a paixão cheira a pólvora, vamos assistindo à transformação de um casamento nascido de mal-entendidos e criado em desconfiança num amor assente, não em paixão ardente, mas na confiança, cedência e aceitação.

  Enquanto romance, a verdade é que este poderá ser dos mais fracos que já li, isto porque a narrativa não se centrando na parte romântica, acaba por não nos ajudar a criar uma ligação com este casal nem com a sua história mas, ao mesmo tempo, gosto do caminho que ele segue, pois esta não foi uma relação nascida da paixão e da tensão erótica e, ao longo da leitura, vamos vendo este amor crescer e fortalecer-se até criar uma união assente nos mais importantes valores. A verdade é que o livro ganha pelos enredos que criam as condições para este casamento. Tanto as jovens da Flores Preciosas com os seus passados escondidos e amizades sinceras como a conspiração em volta da pólvora ou a situação do irmão de Sebastian, servem para tornar este livro uma leitura agradável e interessante, acabando por a parte romântica ficar um pouco posta de parte e até esquecida.

  A minha divisão em relação a este livro é mesmo devido à pouca atenção dada ao romance, isto porque até gostei dele e teria beneficiado muito mais com um romance mais credível e intenso. O casamento de Sebastian e Audrianna até fluí com naturalidade mas a paixão entre eles, ou a forma como a autora a escreve, não nos deixa sentir a força desse amor a florescer, o que num romance deste género é algo bastante importante. Se no outro livro que li da autora achei que ela se apressava demais, neste a relação quase que anda num ritmo demasiado lento, ainda que bem desenvolvido, o que nos deixa sempre a espera de momentos mais apaixonantes, momentos esses que acabam por se cingir a muito poucos e que nos levam a não nos fiarmos ou não acreditarmos muito neste amor.

  Contudo, algo que me surpreendeu foi que estas personagens em geral, são muito mais interessantes e fortes do que as do outro livro que li. Audrianna mantêm-se, até depois do casamento, uma jovem forte, corajosa e voluntariosa, que nunca se deixa domar pelas opiniões ou decisões dos outros, nem se deixa levar inconsequentemente pelo que sente por Sebastian. Já este, é uma personagem bastante interessante e que mostra uma profundidade e dedicação que eu não esperava. O restante elenco surpreendeu-me muito pela positiva, quer as amigas de Audrianna, ou o irmão e os amigos de Sebastian, e fiquei com uma vontade imensa de os conhecer melhor nos próximos livros.

  Deslumbrante é assim, um livro que me dá imensa vontade de o adorar mas que coloca ali um entrave que não o permite para muita pena minha. Espero que outros sejam melhor desenvolvidos em termos de romance porque parece-me que esta série está cheia de promessas bastante preciosas. Ainda não foi desta que eu e Madeline fizemos as pazes mas também já estivemos mais longe.

5*