segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Aquisições&Leituras *Setembro*

  E o Outono chegou! E com ele a chuva, o frio, as folhas a voarem das árvores e uma grande vontade de ler enrolada no sofá enquanto a chuva bate lá fora... Sim o Outono é a minha estação preferida mas este Outono em particular parece trazer  grandes novidades e mentiria senão dissesse que não estou ansiosa de morrer por muitas delas! Uma das minhas autoras preferidas regressa às prateleiras das nossas livrarias depois de uma ausência quase forçada, outras autoras preferidas estão prestes a voltar e há muitos novos autores por descobrir por aí nesta estação.

  Entretanto, depois de um Agosto quase a passo de caracol, voltei em grande às leituras e opiniões, e a minha boa sorte com as leituras continua e espero que assim continue este mês, o que me parece muitooooo provável. O segundo passatempo do blogue está a decorrer e é de um dos livros preferidos deste mês (e mais avizinham-se), o Picture Puzzle continua em força e as TAG's giras e divertidas não faltaram por aqui neste mês de Setembro. 

  Este mês que acaba foi qualquer coisa em aquisições. A sério! Terminei a colecção de eróticos do O Correio da Manhã (até adquiri um que não queria), descobri uma nova saga de fantasia para meu gaúdio e desespero, recebi continuações de séries que adoro e até me despedi (outra vez e espero que pela última vez) de uma das séries mais marcantes da minha vida enquanto outra continua a deixar-me os olhinhos a brilhar. Até consegui adquirir o último livro que me faltava de uma das minhas autoras preferidas! Bem, não é bem o último mas o que me falta está mais que esgotado. E, pronto, vão mas é cuscar as fotos que já escrevi demais!



Aquisições


A Vénus das Peles, Leopold Sacher-Masoch
As Onze Mil Vergas, Guillaume Apollinaire
Sedução, Bella Andre
O Amante de Lady Chatterley,  D.H. Lawrence
Adivinhem lá qual é que eu não queria... Mas pronto já tenho uma colecção de eróticos como deve ser!
 

O Palácio da Meia-Noite, Carlos Ruiz Zafón
Scarlet, Marissa Meyer  *Opinião*
A Chama de Sevenwaters, Juliet Marillier *Opinião*
Dalila, Eleanor de Jong    *Opinião*
Recebidos da parceira Planeta Manuscrito, estes livros trouxeram muitas alegrias e lágrimas. Mais uma vez despedi de Sevenwaters, que vai deixar tantas saudades como da primeira vez e voltei a apaixonar-me pelas Crónicas Lunares
 

Irresistível, Jessica Bird *Opinião*
Recebido da parceira Leya, este livro fez-me reler uma autora que não lia há imenso tempo numa outra vertente que confesso prefiro à outra
 

Sombras da Noite, Andrea Cremmer
Danças na Floresta, Juliet Marillier
As Mulheres de Summerset Abbey, T.J. Brown
Espera por Mim, Gayle Forman
O primeiro foi me oferecido pela Joana do As Histórias de Elphaba (muito obrigada querida!!), o segundo era O que me faltava (maldito A Máscara da Raposa que está esgotado), o terceiro eu queria imenso e o último é a continuação de um livro que adorei.


 A Guerra Diurna, Peter V. Brett
O Homem Pintado, Peter V. Brett *Opinião*
Com oferta do primeiro livro, a pré-compra do terceiro volume desta saga foi obrigatória. Infelizmente só o posso levantar amanhã mas o primeiro volume já me deixou convencida!



O Melhor e o Pior do Mês

Sem dúvida, o melhor do mês!

Não sendo mau, este livro acaba por ser o pior do mês


As Restantes Opiniões de Setembro



 E...

 Tag *Alfabeto Literário* [1], [2]
Tag *Nomeia Pilha* [1], [2]
Picture Puzzle #41, #42 e #43



Próxima Opinião


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Opinião - O Homem Pintado

Título Original: The Painted Man
Autor: Peter V. Brett
Editora: ASA
Número de Páginas: 606

Sinopse
 Por vezes existem boas razões para se ter medo do escuro. Arlen vive com os seus pais na sua quinta isolada a meio dia de viagem do pequeno povoado de Tibbet’s Brook. Mas no mundo de Arlen quando a noite cai uma estranha névoa começa a erguer-se do chão, uma névoa que promete uma morte terrível para todos aqueles que sejam suficientemente loucos para enfrentar a escuridão, pois demónios esfomeados, que não podem ser feridos por armas comuns materializam-se na névoa para se alimentarem dos seres vivos. Quando a noite cai as pessoas não têm outra alternativa se não esconderem-se nas suas casas cuidadosamente guardadas com símbolos mágicos de protecção que são a única coisa capaz de manter os demónios à distância até que chegue o nascer do sol. Nesta história três jovens irão oferecer à humanidade uma última e fugaz hipótese de sobrevivência.

Opinião

  O Hobbit e o nº 162 de X-Men mudaram a vida de Peter V. Brett para sempre. Entre livros de fantasia e banda desenhada, Peter começou por tentar tornar-se artista de banda desenhada mas devido à falta de jeito, começou a escrever fantasia e, mesmo sendo o seu primeiro livro algo como horrível, continuo a insitir. Depois veio a faculdade e com ela Dungeons & Dragons, esgrima e raparigas. Ah, e claro, o curso em Inglês com minor em História de Arte. Geriu uma loja de banda desenhada, trabalhou na publicidade farmacêutica e quase, quase se esqueceu de escrever mas o seu quarto livro viria a torna-lo um autor de sucesso, permitindo-lhe finalmente viver o seu sonho a tempo inteiro.

  O Homem Pintado é o primeiro volume de uma saga denominada Ciclo A Noite dos Demónios. Publicado em 2008, está traduzido para catorze línguas. 

  Depois de anos para pegar neste livro finalmente li-o e, sim, arrependi-me do tempo que demorei para o fazer pois O Homem Pintado é demoniacamente fantástico. Não sei se é de já não ler fantasia épica de novos autores há algum tempo mas soube espectacularmente bem ler este livro, tão bem que o li em dois dias tal era a saudade de ler o género e tal a qualidade da escrita e da imaginação do autor. Complexo e obscuro, o primeiro volume da série de Peter V. Brett apresenta um mundo vasto e condenado que nos alicia desde a primeira página, um mundo onde o terror e a obsessão andam de mãos dadas, um mundo onde um acto de cobardia pode mudar uma criança de forma irreversível, um mundo onde os mitos caminham à luz do dia. Através de uma escrita minuciosa e crua, por vezes brutal e introspectiva, Brett incide na sua história uma poderosa carga de coragem, terror e obsessão que nos agarra de forma voraz.

  Com um enredo comparável há alguns mas diferente de todos, este livro é uma demanda com a típica trindade de heróis, heróis que para além de enfrentarem as noites mortais têm também de enfrentar os seus próprios obstáculos. De forma detalhada, conhecemos os três protagonistas a partir do momento de viragem, ou seja, o acontecimento que lhes muda as vidas para sempre e, a partir daí, assistimos ao seu crescimento, às suas decisões, à forma como aquele momento lhes alterou a vida para sempre. Através deles conhecemos ainda a vasta geografia deste mundo, a cena política de cada cidade, a organização social de cada vila perdida, a forma como cada povoação enfrenta ou não os demónios que durante a noite os atormentam bem como os magísteres a que cada um deles se dedica. Apesar de ser o típico volume de introdução das longas sagas, este livro acaba até por ter um desenvolvimento bastante rápido e se é detalhado é também rico em acção e movimento, o que torna a leitura não só voraz como sempre cativante.

  Como primeiro volume este livro apenas nos dá uma pequena ideia da complexidade e poder que esta série terá mas de uma coisa podemos ter a certeza, nada é fácil ou simples neste mundo. Os protagonistas têm de passar por todo o tipo de provações, são testados, tentados até ao limite das suas forças até a morte estar quase demasiado próxima mas com cada lição aprendem, endurecem, ganham uma coragem e força, talvez até uma certa indiferença ou obsessão, que lhes permitirá tornarem-se mais do simples heróis. Ao longo do livro podemos sentir uma certa aura de mito, de divino, que ganha contornos mais concretos quando assistimos à transformação de Arlen e que nos permite perceber que a partir daqui esta saga apenas pode melhorar e que as aventuras ainda agora começaram.
Também a caracterização deste mundo ajuda e muito à fantástica aura que ele tem. Desde os demónios, que consistem em vários tipos e tamanhos e que acrescentam uma malvadez e terror ao livro que o torna ainda mais interessante, às guardas, tão detalhadas e vastas, com poderes inconcebíveis ao próprio poder da religião em alguns locais que tanto levam a combater acerrimamente os demónios como a esperarem a morte como um castigo, tudo foi feito e pensado para agarrar o leitor da primeira à última página. 

  Quanto às personagens, são bem caracterizadas e apresentadas. Numa saga às vezes as personagens são tantas que podemos esquecer-nos de algumas mas penso que com esta não haverá esse risco, pois todas são inesquecíveis e tiveram ou têm um papel a desempenhar. De todas, a que gostei mais foi Leesha e aquela que para mim é a mais poderosa é sem dúvida Arlen. Leesha passa de uma menina insegura a uma mulher que sabe o que quer e não se prende pelas convenções apesar de manter uma certa doçura e fragilidade e penso que ainda terá muito por onde crescer. Arlen porque muda do dia para noite e é o típico caso em que a coragem e os sonhos se tornam uma obsessão tal que nada mais importa mas, no fundo, penso que o rapazinho que conhecemos no início do livro ainda lá está.

  O Homem Pintado é um início prometedor, um livro com uma grande carga de fantasia e poder, de coragem e escuridão, de lendas vivas que, sem dúvida se pode comparar às melhores sagas de fantasia. Peter V. Brett conseguiu com este livro mostrar-me que ainda há mais na Fantasia para descobrir do que alguma vez eu poderia imaginar e deixou-me rendida ao seu mundo demoníaco.

6* 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Opinião - Vingança

Título Original: Bloodfever (#2 Fever)
Autor: Karen Marie Moning
Editora: Contraponto
Número de Páginas: 280

Sinopse
 Durante séculos, o reino sombrio dos Fae coexistiu com o dos humanos. Agora as paredes que os separam estão a desmoronar-se e Mac é a única coisa que se ergue entre eles… A vida de MacKayla Lane sofreu uma transformação radical quando ela aterrou nas costas da Irlanda e se viu mergulhada num mundo de feitiçaria mortífera e segredos antigos. Na sua luta para continuar viva, Mac tem de encontrar o Sinsar Dubh— um livro da magia mais negra imaginável, com um milhão de anos, que contém a chave para o poder sobre o mundo dos Fae e do Homem. Perseguida por assassinos Fae, rodeada por figuras misteriosas nas quais sabe que não pode confiar, Mac dá por si dividida entre dois homens mortíferos e irresistíveis: V’lane, o Fae insaciável que consegue transformar a excitação sensual numa obsessão para qualquer mulher, e o sempre inescrutável Jericho Barrons, um homem tão atraente como misterioso.

Opinião


  Depois de uma década na advocacia, Karen percebeu que ansiava por algo mais e depois de inúmeros trabalhos em part-time e horas de escrita, alcançou o seu sonho, ser escritora. Hoje, é autora de duas séries de sucesso, é casada com um homem que também adora livros e vive nas montanhas de Blue Ridge.

  Depois do sucesso da série Highlander, Karen trocou a Escócia pela Irlanda e os druidas pelos Tuatha de Danann. A série Fever é constituída por cinco livros e a autora está a escrever outra trilogia situada neste mundo. O sucesso desta série têm sido gigantesco, de tal forma que para além de um vasto merchandise, a DreamWorks também já comprou os direitos para cinema.

  Vingança é o segundo livro da série e o último traduzido em Portugal. Traduzido para mais doze línguas, foi publicado em 2010.

  Depois de Anoitecer, este livro vem apenas comprovar aquilo que eu já pensava, ou seja, que esta série é puro vício, completamente impossível de largar e nos incute um desespero assustador pelo próximo livro. Com uma escrita crua, sensual, misteriosa e violenta, Karen apresenta-nos uma saga que se vai tornando mais complexa a cada livro, uma saga onde cada acontecimento tem repercussões no futuro, onde cada segredo pode mudar por completo o rumo dos nossos protagonistas. Em resumo, uma saga excitante, cheia de acção, onde o perigo espreita a cada esquina e nada é o que realmente parece.

  Com um enredo enganadoramente simples que fluí perante os nossos olhos, esta é uma história que se adensa conforme as novas descobertas da protagonista. Cada criatura, cada desconhecido, cada inimigo, traz algo de novo à leitura nem que seja mais um segredo, uma pista ou um ponto sem saída, mantendo o leitor atento aos novos desenvolvimentos e a formar as suas próprias conspirações. A desconfiança e a tensão sentem-se ao longo de cada acontecimento, seja nas palavras de Mac, seja nos seus próprios gestos. Ela não pode nem deve confiar e ninguém e isso é algo que está bem patente ao longo da leitura bem como o perigo que todos à sua volta representam. Se o rumo da história parece simples, a verdade é que de simples tem muito pouco. Cada personagem tem as suas motivações, os seus segredos e passados, os seus aliados e inimigos, e se Mac é a figura central, todas estas personagens rodeiam-na num jogo onde a sobrevivência da Humanidade é o prémio final. 

  Depois da Mac cor-de-rosa do primeiro livro é fácil percebermos que ela está a ganhar uma couraça bem mais resistente do que os seus inimigos esperavam. As lições que ainda tem de aprender são visíveis neste livro através das muitas provações porque passa mas é verdade é que ela aprende-as depressa e está a crescer a olhos vistos. Mais forte, com um sarcasmo mais cortante, mais racional e capaz de fazer frente a Barrons, MacKayla é a chave da energia e do sucesso deste livro e, parece-me, estás prestes a tornar-se uma vingadora à altura dos perigos milenares que à espreitam na noite. Já Barrons, ainda é o grande mistério deste livro e, por isso, a personagem mais interessante. Idiota, bruto, salvador, protector, distante, ele é o dilema, o problema, a dor de cabeça de Mac, bem como uma tentação. A tensão crescente entre ambos atinge proporções épicas neste livro e quase que o invencível dava a sua outra face.

  Novas personagens surgem neste livro e parece-me que serão bastante importantes para o futuro pois elas trazem conhecimento e novos dados que mudarão não só a jornada de Mac como a sua vida. Ainda muito no início, penso que este livro é um ponto de viragem na história desta vidente sidhe e que a partir daqui a história se adensará ainda mais.

  Infelizmente parece que esta saga não tem futuro em Portugal para muita tristeza minha mas sem dúvida que a irei ler na sua língua materna pois Fever é das melhores séries deste género que já tive o prazer de ler e este livro só veio comprová-lo.

6*
 
As minhas opiniões da série

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Picture Puzzle #43


Regras:
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens representativas das palavras dos títulos (uma imagem por palavra, ignorando os "e, o(s), a(s), de, etc.);
  • Fazer o post e convidar o pessoal a tentar adivinhar o livro;
  • Se estiver a ser difícil podem ser fornecidas pistas mas está ao critério do administrador do blogue;
  • As imagens não têm de literalmente representar o título
Podem consultar a rubrica nos seguintes blogues: Bookeater/Booklover

Puzzle #1

Pistas: traduzido para português; 


Puzzle #2
 Pistas: traduzido para português; primeiro volume de uma trilogia



segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Opinião - Scarlet

Título Original: Scarlet (#2 Crónicas Lunares)
Autor: Marissa Meyer
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 384


Sinopse
 Cinder elabora um plano para fugir da prisão e, se for bem-sucedida, irá tornar-se a fugitiva mais procurada da Comunidade. Do outro lado do mundo, a avó de Scarlet Benoit desapareceu. Scarlet entra em pânico e, na sua busca, acaba por descobrir que existem muitas coisas sobre a avó que desconhece, assim como ignorava o grave perigo que correu toda a vida. Quando Scarlet encontra Wolf, um lutador de rua que poderá ter informações sobre o paradeiro da avó, sente-se relutante em confiar nele, mas ao mesmo tempo sente-se inexplicavelmente atraída. Scarlet e Wolf tentam desvendar o mistério do desaparecimento da avó, mas deparam-se com outro quando encontram Cinder. Além de todos os problemas em que estão mergulhados, ainda terão de antecipar os passos da maléfica rainha Levana, que fará qualquer coisa para que o belo príncipe Kai se torne seu marido, seu rei, seu prisioneiro.


Opinião

  Marissa Meyer é fã de coisas bizarras, tem estranhas manias e é escritora de distopias baseadas em contos de fadas clássicos que adora desde pequena e que pensa adorar talvez para sempre. Dona de três gatos com nomes muito longos e fora do comum, é fã de Navegantes da Lua e já escreveu mais de quarenta fanfictions sobre elas, organiza a biblioteca por cores e talvez não seja uma cyborg. Talvez.


  Cinder, o seu primeiro livro, foi publicado o ano passado e é o primeiro volume de uma série de quatro, em que cada um deles será baseado num conto de fadas. O próximo volume será Cress e está previsto para daqui 133 dias e será sobre Rapunzel. Os direitos para cinema ainda não foram vendidos mas por agora os fãs esperam mesmo ansiosamente é pelo próximo livro.


  Scarlet é o segundo volume das Crónicas Lunares. Publicado em Fevereiro deste ano, está traduzido para treze países e é baseado no conto de O Capuchinho Vermelho.


  Depois de uma estreia espectacular com Cinder, Marissa Meyer volta a lançar o feitiço e a ultrapassar todas as expectativas com Scarlet, um digno herdeiro do seu antecessor que, mais uma vez, une o brilho e encanto de um conto de fadas à adrenalina e irreverência de um futuro distópico com androides, cyborgs e rainhas lunares malvadas. Com a sua escrita divertida, cheia de adrenalina, doçura e carisma, a autora volta a envolver-nos numa história que leva a imaginação para lá do infinito e que torna os contos de fadas da nossa infância numa versão viciante, fantástica e arrebatadora onde jovens são mais do princesas ou Navegantes da Lua, são mesmo heroínas que não precisam de príncipe nenhum para as salvar, basta-lhes a sua astúcia meio louca e desvairada apimentada com um doce e falso encanto de inocência desprotegida.


  Num enredo cheio de reviravoltas, segredos e acção, este livro é um atentado aos nossos frágeis corações desesperados pois do início ao fim, tudo acontece e muitas são as vezes em que vamos arregalar os olhos de surpresa e sentir o coração quase parar do choque. Numa corrida contra o tempo, numa fuga desesperada, Scarlet e Cinder vão ter de enfrentar o desconhecido ao lado de quem menos esperam e, se uma vê a sua vida virar-se do avesso por causa de uma lenda urbana, a outra vai ter de aprender a enfrentar quem realmente é enquanto a paz entre dois mundos se desfaz em frágeis pedaços. Numa narrativa cheia de coragem, adrenalina e humor inesperado, muito nos é desvendado sobre este mundo extremamente imaginativo de Meyer. Da Comunidade Oriental à França, numa fuga numa nave espacial, descobrimos mais sobre o passado de Cinder, o que a une a Scarlet e os planos de Levana para conquistar o mundo, em cenas que nos deixam estupefactos de surpresa e não nos permitem largar o livro até ao virar da última página. Mas mais segredos são colocados no nosso caminho, mais aventuras estão prestes a ser vividas e o fim deixa-nos, literalmente, a salivar pelo próximo livro enquanto a nossa mente já imagina o que irá acontecer a seguir.


  A adaptação de o Capuchinho Vermelho a este mundo é tão brilhantemente alcançada como a de Cinderela ao livro anterior. A forma como a autora encaixou ambos os contos, unindo todas as peças, é de deixar qualquer um não só admirado como apaixonado por esta história. Desde a desenvoltura e temeridade de Scarlet à ingenuidade e brutalidade de Wolf, tudo foi feito para nos conquistar e surpreender. Os elementos do conto são bastante bem enquadrados na história, permitindo à imaginação da autora e à nossa voar um bocadinho mais alto, principalmente a parte lupina que além de original adiciona um bocado mais de ambição e malevolência à Levana. 


  As personagens continuam carismáticas e fantásticas bem como irreverentes e um bocadinho loucas. Cinder continua a ser uma heroína de encher as medidas que, acompanhada da androide mais fofa de sempre, tem de fazer de tudo para se manter em liberdade, descobrir o que lhe aconteceu e, ainda acabar com Levana. Já Scarlet tem também uma faceta desvairada e corajosa mas enquanto Cinder é mais racional ela é completamente impetuosa. Mas Wolf foi para mim a surpresa deste livro. Não sei do que estava a espera mas não era certamente disto e, definitivamente, estou rendida a ele. É uma personagem de todo inesperada e que, parece-me, irá arrancar muitos suspiros. De resto, desde Kai a Levana, a todo um elenco de novas personagens, todos contribuíram para tornar esta leitura algo não só aliciante, como divertida e encantadora.


  Depois de Cinder, Marissa Meyer conseguiu o impensável e fez ainda melhor. Escreveu Scarlet. Uma caixa de surpresas, doce e apetitosa, viciante e audaz, que conquista ainda mais os fãs e nos faz desesperar pelo próximo. Cress esperamos por ti e não nos desiludas porque as expectativas são ainda maiores. Das melhores séries distópicas da actualidade, dos melhores retellings alguma vez escritos, As Crónicas Lunares são para a criança insatisfeita e ousada que existe dentro de cada um de nós.

7*
 
As minhas opiniões da série