terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Opinião - A Cidade do Fogo Celestial

Título Original: City of Heavenly Fire (#6 Caçadores de Sombras)
Autor: Cassandra Clare
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 576


Sinopse
Na deslumbrante e muito esperada conclusão da série Caçadores de Sombras, Clary e os amigos enfrentam a mais terrível expressão do Mal que alguma vez tiveram de combater: o irmão de Clary. Sebastian Morgenstern está ao ataque e volta Caçador de Sombras contra Caçador de Sombras. Com a ajuda da Taça Infernal, transforma Nefelins em criaturas saídas de um pesadelo, separando famílias e amantes enquanto engrossa as fileiras dos seus Ensombrados. 
Acossados, os Caçadores de Sombras refugiam-se em Idris… mas nem os poderes demoníacos de Alicante conseguem manter Sebastian à distância. E com os Nefelins encurralados em Idris, quem protegerá o mundo contra os demónios? Quando é desmascarada uma das maiores traições de toda a história dos Caçadores de Sombras, Clary, Jace, Isabelle, Simon e Alec são obrigados a fugir – ainda que a sua viagem os leve até ao coração dos reinos demoníacos, onde nunca nenhum Caçador de Sombras fora e de onde nenhum ser humano alguma vez regressara. Haverá amor sacrificado e vidas perdidas na terrível batalha pelo futuro do mundo neste empolgante final da clássica série de fantasia urbana Caçadores de Sombras. 


Biografia
  Judith Rumelt passou a vida a ler. Estivesse onde estivesse, os livros, carradas deles, andavam sempre atrás de si. E, um dia, começou a escrever histórias alternativas sobre as suas personagens preferidas só que, quando deu conta, estava a escrever artigos cor-de-rosa em vez de verdadeiras histórias e a frustração quase a venceu, até que tatuagens e Nova Iorque lhe deram uma ideia. A ideia tornou-se numa história e em 2006 nasceu Caçadores de Sombras e, Judith renasceu para o mundo como Cassandra Clare, hoje uma das mais aclamadas escritoras no mundo.

  Para além dessa série, já publicou também no mesmo mundo, As Origens, e está a planear mais três. The Dark Artifices, que sairá para o ano e se passará depois dos acontecimentos de Caçadores de Sombras, The Last Hours que será publicado em 2017, e terá como protagonistas a geração a seguir a de As Origens, e The Wicked Powers. Para além disso, já está disponível o Shadowhunters’ Codex e The Bane Chronicles. Também publicou este ano um livro com Holly Black, A Prova do Ferro. E a Cidade dos Ossos será novamente adaptado mas desta vez para televisão.

  A Cidade do Fogo Celestial é o tão aguardado final de Caçadores de Sombras. Publicado em Maio deste ano, está traduzido para treze línguas e venceu o Goodreads Choice Awards 2014 na categoria de YA Fantasy.


Opinião
  Despedir-nos de uma série preferida nunca é fácil, mesmo quando o adeus não é derradeiro. Em vinte meses, Cassandra Clare tornou-se uma das minhas autoras de eleição. Fez-me rir, fez-me chorar. Torturou-me e surpreendeu-me. Basicamente, tentou mata-me do coração tantas vezes que descobri que tenho um lado masoquista já que isso só me fez adorá-la ainda mais. Mas mais importante que isso: deu-me a família fictícia que eu não sabia precisar. E por tudo isto e muito mais, A Cidade do Fogo Celestial era um dos finais mais temidos e ansiados deste ano e, quase inexplicavelmente, mesmo assim, conseguiu superar as minhas expectativas. Arrasador, extraordinário, bombástico. Assim se podia classificar este final no qual Cassandra Clare dá-nos um final feliz a que não faltam espinhos, um final que até à última página nos deixa em suspenso entre os sorrisos e as lágrimas. Um final que fecha um ciclo de que sentirei saudades. E abre um novo cheio de expectativas.

  Num mundo destruído, amigos, familiares e amantes encontram-se em lados opostos. Num mundo à beira da ruína, escolhas difíceis devem ser feitas e sacrifícios são exigidos. Lágrimas caem, sangue escorre, mentiras são contadas, ilusões practicadas. E nada, nada poderá ser como antes. Nunca nenhuma vitória foi tão agridoce. Numa narrativa de cortar a respiração, Cassandra volta a apaixonar e a arrasar os seus leitores. Adrenalina, perigo e acção preenchem estas páginas onde tão depressa temos o coração trespassado como aconchegado. Somos arrastados para uma tempestade de emoções, onde no meio de perdas e vitórias, acabámos por descobrir que é exactamente o que não sabíamos desejar que acaba por nos magoar, que é aquilo que não sabíamos sonhar que acaba por nos quebrar. E que uma guerra nada tem de simples, que também os vencedores podem ser perdedores, que o bem e o mal muitas vezes são a mesma coisa.

  Nestas páginas valores mais altos se alevantam. A coragem, a lealdade, o amor, a amizade são celebrados em cada momento, mesmo naqueles em que a esperança parece arruinada. Muitos obstáculos se encontram num caminho que parece cada vez mais difícil de desbravar. Há momentos em que parece que tudo está perdido. Mas como sempre, Cassandra tem muitas surpresas e revelações surpreendentes guardadas, e como sempre, nem todas tornam as coisas mais fáceis. E é por isso que este livro é tão arrasador, por nos surpreender mesmo nos momentos em que não esperámos, por nos fazer sentir nos momentos que não estamos à espera. Nem no fim a autora nos poupa, mas são os espinhos dos seus finais felizes que os tornam tão preciosos e reais.

  É nestes momentos de maior desespero que nos apercebemos o quanto as personagens cresceram ao longo dos livros e, também, quão fortes as ligações entre si se tornaram. Onde havia desconfiança e inveja, surgiram amizades pacientes e inquebráveis, onde haviam amores tumultuosos ou destinados ao fracasso, surgiram namoros feitos de compreensão e aceitação. Onde havia meia dúzia de personalidades distintas, surgiu um grupo coeso e forte que nas páginas deste livro demonstra, não só os heróis que se tornaram, mas também o quanto aprenderam a gostar e a respeitar cada um deles. E não consigo evitar orgulhar-me de cada um deles por isso.

  Esta opinião não chega, e penso que nunca terei palavras suficientes para vos falar deste livro, deste final arrebatador que acaba em glória uma série que surpreendeu pela irreverência. A Cidade do Fogo Celestial pode não ser um derradeiro adeus, mas encherá sempre o meu coração de nostalgia. Bom trabalho, Cassandra, conseguiste-o outra vez.


As minhas Opiniões da Série

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