sábado, 6 de dezembro de 2014

Opinião - A Prova do Ferro

Título Original: The Iron Trial (#1 Magisterium)
Autor: Cassandra Clare e Holly Black
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 320


Sinopse
A maior parte dos miúdos faria qualquer coisa para passar na Prova do Ferro. Mas não Callum Hunt.
O pai ensinou-o a desconfiar da magia e explicou-lhe que o Magisterium, a escola onde os aprendizes de Magos são treinados, é uma armadilha fatal. Callum tenta fazer o seu melhor para ser o pior de todos os candidatos - mas não consegue falhar. 
Superada a Prova do Ferro, não lhe resta outra opção, senão entrar para o primeiro de cinco anos de aprendizagem no Magisterium.
A Prova do Ferro foi apenas o início, porque o verdadeiro teste ainda está para vir…


Biografia
  Holly Black cresceu numa decrépita mansão vitoriana e a mãe colocou-a numa dieta rigorosa de histórias de fantasmas e contos de fadas. Fica assim explicado a sua colecção de livros antigos de folclore, as bonecas assustadoras, os chapéus excêntricos e o facto de escrever livros de fantasia.
  Em 2002 escreveu o seu primeiro livro, Tithe, mas foi com as Crónicas de Spiderwick que ficou conhecida.

  Cassandra Clare nasceu no Irão e passou a maior parte da sua vida a passear livros pelo mundo até regressar aos Estados Unidos e assentar em Nova Iorque onde, após um tempo desgastante a trabalhar para revistas cor-de-rosa, encontraria a inspiração para a sua primeira série, Caçadores de Sombras, um sucesso mundial.

  A Prova do Ferro é um livro conjunto entre ambas e foi publicado em Setembro deste ano. Já está traduzido para onze línguas.


Opinião

  Uns chamaram-lhe cópia de Harry Potter. Outros torceram o nariz por ser um livro infantil. E ainda houve quem dissesse que era uma prova da falta de originalidade de Cassandra Clare. Mas, para mim, A Prova do Ferro foi um regresso saudoso à infância, um regresso obscuro e torturante como só estas duas autoras podiam conceber. A realidade é, todos os livros deste género serão comparados à saga de J.K. Rowling e nenhum lhe chegará aos calcanhares. Só que Cassandra Clare e Holly Black são duas autoras diferentes da Rainha, e isso nota-se no decorrer desta história. Tem então, A Prova do Ferro semelhanças com Harry Potter? Claro que tem, mas de longe é uma cópia. É sim, uma história simples à superfície que, nas entrelinhas, guarda muitos segredos e reviravoltas. As surpresas ainda agora começaram. E conhecendo estas duas autoras e a sua veia para criarem matrioskas cheias de surpresas, verdades escondidas e mentiras inesperadas, eu sei que ainda nada está no tabuleiro. Autoras com uma escrita cheia de ironia, sagacidade e um toque para torturar os leitores, principalmente Cassandra, elas equilibram-se numa única voz, tão capaz de criar pesadelos como as mais ternas recordações. 

  A Prova do Ferro é uma narrativa simples. Falta-lhe a complexidade que seria desejada num livro com um intricado sistema de magia, falta-lhe um pouco de deslumbramento para convencer o leitor. Tem elementos interessantes e obscuros, verdade, só que não nos é permitido explorá-lo na medida certa, o que acaba por nos deixar às cegas e com a sensação que é tudo demasiado superficial. Contudo, não deixa de ser uma leitura fluída, recheada de segredos e imprevistos, cujo final nos deixa de queixo caído e nos convence que talvez haja mais qualquer coisa nesta saga. Aliás, ao longo da narrativa temos pistas que nos mostram que nada é tão linear quanto parece, nada é o que estámos à espera, nada acontecerá como seria previsto. E é este toque que nos mantém em suspenso, cheios de curiosidade. ao longo de páginas em que parece que nada acontece. No fundo, tal como as personagens, somos deixados na obscuridade, bem como somos apanhados de surpresa quando as revelações finais surgem. Sim, é o final que acaba por nos trocar as voltas, pois afinal parece que nada existe de simples neste mundo.

  Nas personagens senti um pouco, também, dessa dicotomia entre simplicidade e complexidade. Callum, Tamara e Aaron, são personagens que nos irão surpreender, seja pelos seus passados, seja pelo futuro que têm pela frente. Eles têm personalidades complexas, ainda não definidas, que só o crescimento e a experiência irão limar. Ainda estão cheios das certezas e arrogância da infância mas, ao mesmo tempo, já existe uma sombra negra a pairar por cima dos três e isso, será de certeza algo de interessante de ver, a forma como os acontecimentos irão moldá-los. Outras personagens, infelizmente, soaram-me demasiado simples, e o mais engraçado é que senti isso no grupo dos adultos, onde nenhuma personagem me chamou a atenção. Acaba por ser o trio principal e os colegas a realmente prenderem-nos a história. Aliás, parece que nenhum destes miúdos tem uma história fácil.

  A Prova do Ferro é uma leitura que entretém e, como primeiro livro de uma saga, dá-nos uma ideia do que nos espera. Não é extraordinário, verdade, mas apesar dos seus defeitos não consigo de deixar de apontar o quanto me diverti a lê-lo. Porque para o meu eu de 23 anos faltou de facto algo, mas o meu eu de 13 ainda se lembra demasiado bem do que é não ter expectativas e ser surpreendida. Veremos qual delas tem razão.

6 comentários:

  1. Estou bastante curiosa com este livro. Aliás, já era para o ter lido mas por diversas vezes peguei nele, li as primeiras linhas e pensei: não, ainda não é a altura certa. Será, talvez, por essa questão da maturidade e simplicidade narrativa? É bem possível, no entanto, a ver se é em 2015 que lhe pego — ou até antes disso!

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    1. Talvez... Atenção que gostei do livro! Mas sei que ele tem falhas, que com outra maturidade possivelmente não me teriam feito diferença.

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  2. Olá :)

    "Porque para o meu eu de 23 anos faltou de facto algo, mas o meu eu de 13 ainda se lembra demasiado bem do que é não ter expectativas e ser surpreendida." Não diria melhor :), não tivesse eu também 23 e lido o Harry Potter também com 13. :)
    Gostei muito de ler a tua opinião. Apesar de podermos gostar muito, pouco ou mais ou menos de um livro, temos que ter em consideração muita coisa. Por um lado, virtualmente todos os livros têm falhas, podemos é ser ou não capazes de as detectar :) e claro que a idade e a maturidade afectam isso. Reli este ano HP e os meus 23 anos detectaram algumas falhas no primeiro livro (na tradução neste caso) por exemplo, mas NUNCA o meu eu de 13 anos reparou nelas :). Por outro, até o público alvo influencia e também há que ter isso em atenção.
    Mesmo assim, fiquei curiosa com o livro. E, seja ou não parecido com Harry Potter, porque não voltar à infância outra vez e ser MUITO FELIZ :)?

    Boas viagens,
    Rosana
    http://bloguinhasparadise.blogspot.pt/

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    1. Por acaso comecei a ler o Harry Potter com 9 anos... A escolha do 13 não teve nada a ver com isso =s Foi mesmo uma questão de tirar dez anos e por se inserir na idade "adequada" para ler este livro.

      Obrigada!! Eu que já li os reli tantas vezes sei que a única coisa que noto é mesmo os erros de tradução. Essa saga terá sempre algo de mágico para mim *.* Neste caso, sim influencia mas tens toda a razão, que interessa se podemos voltar a ser crianças outra vez?*.*

      Boas leituras

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  3. Olá :)

    Gostei tanto da tua análise, clara e objetiva, que me deu vontade de pegar no livro e começar logo a lê-lo.
    Por vezes, livros assim, que invocam os tempos de infância, também são necessários e muito bons :)

    Beijinhos e boas leituras

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    1. Olá!

      Que bom Denise!!=D
      Pois são, sem sombra da dúvida!

      Beijinhos e boas leituras

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