quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Opinião - A Bela e o Vilão

Título Original: When We Was Wicked (#6 Bridgertons)
Autor: Julia Quinn
Editora: ASA
Número de Páginas: 352


Sinopse
Libertino. Devasso. Debochado. Três adjetivos que podiam descrever Michael Stirling na perfeição. Bem conhecido nas festas londrinas, quer desempenhasse o papel de sedutor ou o papel de seduzido, uma coisa era certa: nunca entregava o coração. Ele teria até acrescentado a palavra “pecador” ao seu cartão de visita se não achasse que isso mataria a pobre mãe.

Mas ninguém é imune ao amor. Quando a seta de cupido atinge Michael, dá início a uma longa e tortuosa paixão – pois o alvo dos seus afetos, Francesca Bridgerton, tem casamento marcado com o seu primo. 

Mas isso foi antes. Agora, Francesca está novamente livre. Infelizmente, ela vê Michael apenas como um ombro amigo – até à fatídica noite em que lhe cai inocentemente nos braços, e a paixão se revela mais poderosa e intensa do que o mais perverso dos segredos… 


Biografia
  Nasceu Julia Cotler e devia ter sido médica, mas Amanda Quick e Ben&Jerry’s alteraram para sempre a vida desta senhora. Comparada à Jane Austen, considerada uma das melhores autoras de romance histórico da actualidade, Julia Quinn foi a mais jovem escritora a entrar no Romance Writers of America Hall of Fame, venceu três vezes o RITA Award e há vinte anos que nos encanta com os seus romances.

  Autora de sete séries, dois livros em conjunto com outras autoras e do comentário à nova edição de Mansfield Park da Signet Classics, Julia dedica todos os seus livros ao marido e só escreverá romances contemporâneos se os históricos não ficarem em segundo plano. Só cometeu dois erros nos seus livros: trocou a cor dos olhos de uma personagem em três livros e descasou uma personagem já casada no final de outro. Mesmo assim, nós, os fãs, adorámo-la incondicionalmente principalmente agora que parece que ela vai regressar aos irmãos Bridgerton.

  A Bela e o Vilão é o sexto livro da série Bridgertons e foi publicado em 2004. Venceu um prémio e está traduzido para onze línguas.


Opinião
  Por vezes, com um subtil mas delicioso tom mordaz, outras com uma doçura capaz de derreter a alma menos crente, Julia Quinn conquista-nos sempre, uma e outra vez, sem qualquer piedade. Com histórias tecidas em charme e romantismo, arranca-nos gargalhadas e suspiros, faz-nos corar ou soltar uma lágrima. Surpreende-nos sempre e o sorriso sonhador é impossível de se desfazer muito depois de lida a última página. Mas, uma das razões deste feitiço sem cura, é que cada um dos seus livros tem uma aura que o destaca dos demais, tornando cada um numa preciosa jóia, dificultando-nos a escolha de um preferido. Contudo, confesso que este A Bela e o Vilão tem para mim um certo brilho que o coloca num lugar especial. Talvez por ser aquele que é feito da mesma matéria que os sonhos. Não uns quaisquer, atenção. Mas aqueles inconfessáveis e docemente guardados numa gaveta, envoltos em seda e fechados pela chave que trazemos junto ao peito. Aqueles que nos mantém vivos e destruem bocadinho a bocadinho. Os que realizados, são o conto de fadas de cada um de nós. 

  Imaginem perder o nosso primeiro amor, o rapaz com quem crescemos e chamámos irmão, o nosso único filho. Imaginem perdê-lo inesperadamente e demasiado cedo, sem qualquer explicação ou motivo. É desta forma que esta história começa, no meio de um sofrimento sem palavras, de uma desolação que parece durar para sempre, de uma culpa que não existe mas que não nos liberta. De uma forma tocante e emotiva, vivemos essa dor, as suas expressões e consequências, e aprendemos que, não só temos de as valorizar e recordar, como também que não podemos viver à sua sombra para sempre. Afinal, esta é uma história sobre segundas oportunidades, raras e valiosas, que aparecem sem as querermos ou pedirmos. É sobre realizar e criar novos sonhos. É sobre encontrar a felicidade e vivê-la em vez de nos escondermos nas sombras e no passado que não volta. 

  Francesca e Michael exasperam-nos. São teimosos como mulas, honrados e estão completamente perdidos na culpa e no sofrimento, bem como no desejo de terem algo que nunca acreditaram ser possível. Mas também comovem-nos, desarmam-nos com a sua solidão e o apego às recordações. Talvez seja por isso que, ao vê-los passar de uma amizade descontraída e confortável para uma paixão avassaladora, desejemos que encontrem o seu final feliz um com o outro. Através de um enredo terno e pecaminoso, assistimos aos seus planos desesperados e desastrados, a uma sedução tão maquiavélica quanto romântica, às discussões tontas nas quais o importante fica por dizer. Vemos o mais improvável e intenso dos amores nascer entre dois amigos, duas almas gémeas que se negaram até não puderem mais. E ficámos completamente rendidos à intensidade dos seus sentimentos, à forma como, apesar de colocarem a si próprios todos os obstáculos, acabam por os ultrapassar. 

  Contudo, o caminho é longo e tortuoso, muito por culpa das personalidades fortes dos nossos protagonistas, e da sua tendência para não verem o que está a sua frente, o que os leva a uma intricada e escandalosa sedução, muito mais fácil de realizar do que confessarem o que sentem um pelo outro, pelos vistos. Isso levará a uma série de peripécias e mal-entendidos, bem como conspirações muito atabalhoadas e declarações impensadas, que nos proporcionam não só momentos feitos de doçura como da mais pura diversão. Vale-nos a presença metediça mas sábia de alguns elementos da família Bridgerton, dos inconvenientes pretendentes e das desesperadas debutantes e respectivas mães, que sem se aperceberem ou de uma forma muito perspicaz, acabam por atirar o casal para os braços um do outro de uma forma rápida e certeira. 

  A Bela e o Vilão é o mais trágico dos livros desta série. O mais devasso. E aquele que acarreta a maior das esperanças e o mais impossível dos sonhos. Diferente de todos os outros, único na sua essência e feitio, este livro é para mim aquele onde Julia Quinn mais me surpreende e enternece, tornando-se num incontestável favorito.


As Minhas Opiniões da Série

4 comentários:

  1. Resenha excelente! Parabéns! Este livro é maravilhoso :)
    Infelizmente aqui no Brasil ainda precisaremos esperar alguns meses pela tradução.

    Compartilharei sua resenha na página do facebook Julia Quinn Brasil (https://www.facebook.com/juliaquinnbrasil), ok?

    Beijinhos

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    1. Muito obrigada Mari!! Pois é, definitivamente é um dos meus preferidos com a da Penelope e do Colin. Espero que eles aí se despachem eheheh

      Claro ;)

      beijinhos

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    2. Adorei tanto a tua opiniao que quase me fez querer ter esse livro.

      Bjs

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    3. Só quase? Ando a falhar =p Muito obrigada!!

      Beijinhos e boas leituras!

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