quinta-feira, 30 de julho de 2015

Opinião - Quando Éramos Mentirosos

Título Original: We were Liars
Autor: E. Lockhart
Editora: ASA
Número de Páginas: 312


Sinopse
E se alguém lhe perguntar como acabar este livro… MINTA.
A família Sinclair parece perfeita. Ninguém falha, levanta a voz ou cai no ridículo. Os Sinclair são atléticos, atraentes e felizes. A sua fortuna é antiga. Os seus verões são passados numa ilha privada, onde se reúnem todos os anos sem exceção.
É sob o encantamento da ilha que Cadence, a mais jovem herdeira da fortuna familiar, comete um erro: apaixona-se desesperadamente. Cadence é brilhante, mas secretamente frágil e atormentada. Gat é determinado, mas abertamente impetuoso e inconveniente. A relação de ambos põe em causa as rígidas normas do clã. E isso simplesmente não pode acontecer.
Os Sinclair parecem ter tudo. E têm, de facto. Têm segredos. Escondem tragédias. Vivem mentiras. E a maior de todas as mentiras é tão intolerável que não pode ser revelada. Nem mesmo a si.


Biografia
Emily Jenkins, conhecida entre nós como E. Lockhart, frequentou escolas de teatro durante o verão quando estava na escola secundária, mas foi aos livros ilustrados e, mais tarde, à literatura inglesa, que acabou por se dedicar, nos seus estudos quando adulta.

Apesar de assinar livros ilustrados para crianças com o seu nome verdadeiro, foi com o seu pseudónimo e os livros YA que acabou por ficar conhecida, sendo o seu livro mais conhecido Quando Erámos Mentirosos

Publicado em 2014, esteve nomeado e foi vencedor de vários prémios literários como o Goodreads Choice Awards para YA Fiction. Está traduzido para dezasseis línguas.


Opinião
Primeira Mentira: Este livro não vos surpreenderá em nada.

Segunda Mentira: Este livro será clemente com os vossos sentimentos.

Terceira Mentira: Este livro será facilmente esquecido.

  E. Lockhart pede que vos minta. Pois bem, guardarei os seus segredos a sete chaves mas as únicas mentiras que vos contarei já foram ditas. Deixem-me contar-vos a verdade, não a completa e única verdade, mas a verdade da forma que serei permitida libertar. Quando Éramos Mentirosos é uma obra gloriosa, uma história que espelha na perfeição a mente, a alma e o coração humano. É uma tragédia, em tantos sentidos e de tantas formas, mas uma que mantém a beleza de uma inocência idealista e sonhadora. É, talvez por isso, que este livro nos abala, porque recria para nós uma geração cheia de promessas e valores, uma geração desafiadora e rebelde, uma geração tão brilhante e efémera como uma estrela cadente, cuja história é contada pela voz inesquecível de Lockhart. Lírica e bela, manipuladora e cruel, assim é a escrita desta autora. Meio louca, meio sã, meio pessimista, meio sonhadora. Exactamente como esta história. Perfeita para as mentiras e segredos.

  As páginas deste livro são uma ilusão, onde cada passo e truque foi planeado e belamente executado, de forma a iludir o leitor numa complexa e subtil trama de tantas, tantas mentiras. Cada palavra é destinada a enganar-nos, cada sorriso serve para nos dar uma sensação de falso conforto. E não é que não saibamos que algo sombrio nos foge. Sabemos. Aliás, sentimos. Debaixo do deslumbramento, está um mal-estar que não desgruda e aumenta a cada capítulo. Algo está profundamente errado mas estamos tão perdidos, tão cegos que nada vemos até o golpe ser dado e sangrarmos, sangrarmos sem parar. Nem a mais produtiva, racional das imaginações pode prever as verdades desta história. Nada nos pode preparar para aquilo que nos irá invadir: incredibilidade, fúria, desespero... E o vazio, o horrível e escuro vazio de um destino perdido nas lembranças de um sol eterno.

  É que é tão doce esta marcha fúnebre. No meio da insanidade, há momentos tão puros e felizes que esquecemos o instinto. Permitimo-nos viver a juventude e sonhar o futuro. Deixamo-nos ser iludidos, queremos sê-lo. Esquecemos os avisos e as sombras, fingimos que não vimos os truques da magia macabra que se apodera de nós. E vivemos a perfeição, mesmo antes do mundo desabar em mil pedaços irrecuperáveis.

  É difícil deixar-vos assim, mas não posso nem irei adiantar-me mais sobre esta leitura. Quero que ela seja para vocês a mesma caixinha de surpresas que foi para mim. Quero que sejam arrebatados como eu ainda estou. Leia-no e mintam. Mintam sempre mas não esqueçam a verdade.

2 comentários:

  1. Olá :)

    Também gostei bastante desse livro. Diferente.

    Boas leituras!

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    1. Olá!

      Muito diferente e tão bom ;)

      Beijinhos e boas leituras!

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